História do Município
História do Município
- Publicado em: 12/01/2026 | Imprimir
HISTÓRIA DO MUNICÍPIO
Igor Tieres Glaeser
Graduação em História e em Ciências Sociais
Rolante é um município do Estado do Rio Grande do Sul, situado na encosta da Serra, no Vale do Paranhana. Segundo os dados do IBGE, Rolante tem área da unidade territorial 296,090 km² e População estimada em 2021 de 21.591 habitantes. Desses, a maioria vive na área urbana, em torno de 78%. O município fica a 95 Km de distância de sua capital, Porto Alegre. Seus vizinhos são: Santo Antônio da Patrulha, Riozinho, São Francisco de Paula e Taquara.
Os primeiros habitantes foram os indígenas da tradição Umbu. Em registros arqueológicos da região também encontramos informações sobre os Kaigangs e Guaranis. Posteriormente com a abertura da Estrada dos Tropeiros, por volta de 1737, estabeleceram as primeiras famílias de origem lusitana. É provável que tenham residido em locais estratégicos dessa estrada, junto ao “Passo das Tropas” (local onde os tropeiros atravessavam o rio Rolante) atual sede do município, também, na “Ilha”, que era um “desmonte de mato” a meio Caminho da Serra, local hoje chamado de Ilha Nova.
O primeiro registro encontrado que fala sobre este caminho que passava pelo Vale do Rio Rolante, é o roteiro de autor anônimo que acompanhou os tropeiros e fez um diário, descrevendo em detalhes o “Caminho do Sertão”, conhecido como “Roteiro de 1745”. Nos dá informações da travessia dos tropeiros pelo rio Rolante apresentando entre outras, as seguintes expressões: “leva bastante água, “arrebatado” e “furioso”. Por isso que Rolante tem esse nome, porque na época das cheias fica impetuoso e violento, levando tudo de “roldão”. Ainda hoje em Rolante há vestígios dessa remota Estrada dos Tropeiros, como por exemplo, na localidade da Glória, onde encontra-se o “Túmulo do Tropeiro” ou “Túmulo do Farrapo”. De acordo com o Historiador Ademir Rost (2020, p. 31), esse caminho foi importante para Rolante, pois era via de comunicação terrestre entre os núcleos de ocupação lusa do Rio Grande do Sul com o centro do país.
Outro ponto de grande importância para abordar, é a questão da presença de escravos negros, em que o professor Oto Petry nos esclarece:
Nesta época (1800 – 1847), ocorre o desmonte da floresta na região do Campestre, no município de Santo Antônio da Patrulha, por força do braço escravo. Aconteciam eventuais fugas, sendo o local de refúgio destes, a região da Areia, Ilha Nova, onde no “alto da serra” tinha início a formação de um pequeno quilombo. A vista disto, registro a Câmara de vereadores de Santo Antônio da Patrulha, pedidos de providências, referindo-se à existência de escravos fugitivos nesta região, como Baianos. Para recapturar e devolver os fugitivos aos proprietários, é nomeado em 13 de Janeiro de 1848, como Capitão do Mato o senhor José Homem, sendo concedida esta área como sua propriedade, dando início a ocupação lusa nesta localidade. (PETRY, 2003, p. 19).
A historiadora Paola Laux em sua pesquisa “A presença do negro escravizado em Rolante”, menciona documento que comprova a existência de mão-de-obra escravizada em uma fazenda na região. Sobre a presença negra há muito a ser pesquisado, mas é inegável a sua importância e contribuição para formação de Rolante, através das manifestações culturais, religiosidade e costumes.
No que se refere a ocupação no Vale do Rio Rolante, o município também foi colonizado por descendentes de imigrantes alemães, poloneses e italianos. Os primeiros migrantes alemães chegaram por volta de 1880 e povoaram as localidades de Ilha Nova e Alto Rolante. A historiadora Andrea Helena Petry Rahmeier (2004, p. 769) argumenta que: “com a vinda dos teutos incentivou-se o interesse em obter terras no local, possibilitando uma espécie de especulação imobiliária”. Na localidade do Alto Rolante há um cemitério luterano, atualmente desativado, que demostra a presença dessa migração, pois muitos dos túmulos são do início do século XX, e a presença de lápides no dialeto alemão. A partir de 1890 chegaram os poloneses na Baixa Grande e Canta Galo. Os descendentes de italianos começaram a chegar na região de Boa Esperança, interior de Rolante, em 1910. Entre 1924 e 1926 vieram 160 imigrantes da região de Oldenburg, na Alemanha. Por isso podemos dizer que a história de Rolante é formada por diferentes etnias e modalidades de migração. No ano de 1935 tivemos também a presença da Arábia, em que se estabeleceu na localidade da Areia, um comércio de secos e molhados, conhecido como Casa Salim. Atualmente estamos recebendo imigrações de haitianos.
Rolante foi um Distrito pertencente a Santo Antônio da Patrulha. Era por lá que os moradores pagavam seus impostos, faziam pedidos e reclamações. Na década de 1920, devido ao desenvolvimento do comércio e a forte agricultura, a localidade dava sinais de independência. Sendo assim, em 1928, ocorreu o primeiro movimento separatista. Somente com o terceiro movimento, no dia 15 de dezembro de 1954, foi assinada pelo Governador, General Ernesto Dornelles a Lei nº 2527, criando o Município de Rolante. No dia 28 de fevereiro de 1955, ocorreu a solenidade de instalação política do município, com a posse do primeiro Prefeito de Rolante, Hugo Zimmer.
Com o desenvolvimento econômico e com a emancipação política em 1955, foram ampliadas as ruas da sede, surgiram novos prédios, cooperativas agrícolas, cooperativas de crédito, residências, Igrejas e pontos comerciais. Sendo importante mencionar que através da Lei Municipal nº 045, de 15/04/1957 o Poder Executivo Municipal realizou um convênio com a Comissão Estadual de Energia Elétrica – CEEE, para o fornecimento de iluminação pública. Assim podemos observar um avanço na infraestrutura da região central do município, onde se concentrava a maioria dos comércios.
Atualmente a economia é baseada na indústria calçadista, moveleira e de esquadrias; na agricultura familiar e pecuária, observando-se um crescimento na indústria de alimentos e no turismo. No setor primário há a presença da agricultura, pecuária e extração de madeira. No setor secundário as principais indústrias são do setor calçadista e derivados de madeira. Há agroindústrias, onde se destacam as de gênero alimentício. E no terciário há serviços e comércio em geral.
Quando Rolante fez 30 anos, em 1985, foi realizada uma festa na Praça da Matriz para comemorar o aniversário da cidade. Como a principal bebida era o chope, chamaram a festa de 1º Festival do Chope. Por vários anos esse festival aconteceu sempre no primeiro final de semana do mês de março.
No ano de 1997 foi realizada a primeira Kuchenfest - Festa da Cuca, no mês de setembro, com o objetivo de valorizar as tradições culturais da imigração alemã. Como o mês de setembro é muito chuvoso, isso atrapalhava a realização, então em 1999 a festa passou a ser realizada no mês de março, junto com o Festival do Chope. Por vários anos as comemorações do aniversário de Rolante receberam esses dois nomes, até que no ano de 2010 resolveram manter o nome Kuchenfest, pois era o mais usado pela comunidade. As cucas são produzidas manualmente, assim mantendo a tradição herdada de descendentes alemães. No ano de 1997 foi criado o Decreto Municipal Nº 1.458 de 17/09/1997, em que decreta “Rolante Capital Nacional da Cuca”. Somente no ano de 2005 foi criada a Lei Municipal Nº 1.957 de 23/05/2005, que institui no município de Rolante a denominação de “Capital Nacional da Cuca”. Em 2020 através da Lei Estadual Nº15829, inclui a Kuchenfest no Calendário Oficial de Eventos do Rio Grande do Sul e declara o município como Capital Estadual das Cucas.
A diversidade cultural de Rolante é muito grande. No CTG Passo dos Tropeiros é cultivada a cultura gaúcha, com as prendas e os peões praticando as danças e aprendendo sobre as tradições do nosso estado. Na Ilha Nova, a ASCOMIN – Associação Comunitária de Ilha Nova, preserva a cultura dos imigrantes alemães através das Danças Folclóricas, do Canto Coral e do Terno de Atiradores. Na localidade de Boa Esperança, se observa que há a intenção de manter viva a tradição da colonização italiana em seus Capiteis em devoção a Santos da Igreja Católica e também nas cantinas de vinho, que fomentam o turismo no município.
O Canto Coral é a tradição cultural mais antiga do nosso município, muito praticada pela imigração alemã. Existiam diversas Sociedades de Canto em Rolante, como: Sociedade de Canto União Fraterna, em Campinas; Sociedade de Canto Alto Rolantense, em Alto Rolante e a Sociedade de Canto Concórdia no Rolantinho. A Sociedade de Canto Amor Perfeito, na localidade de Ilha Nova, ainda mantém as suas atividades. No centro de Rolante além da Sociedade de Canto Carlos Gomes, existia a Sociedade de Canto Cristo Rei. Com o passar dos anos os cantores foram envelhecendo e os jovens não demonstraram interesse em participar dos Coros, então muitas Sociedades de Canto foram desativadas. O município, preocupado com essa situação, criou o Coro Municipal de Rolante no ano de 2010, com o objetivo de preservar essa tradição, abrilhantar os eventos municipais e divulgar a cultura rolantense no nosso estado. O prédio que é referência para a comunidade rolantense, quando se fala em Sociedades de Canto, é a Sociedade de Canto Carlos Gomes, localizada no centro, na qual é realizado anualmente o Festival de Coros.
Como podemos observar, Rolante é formado por várias etnias e diversidades culturais, o que favorece o desenvolvimento cultural, econômico e turístico, valorizando as localidades, suas tradições e modo de vida.
Fontes:
DECRETO MUNICIPAL Nº 1.458 de 17/09/1997. Disponível em:
<https://rolante.cespro.com.br/visualizarDiploma.php?cdMunicipio=7830&cdDiploma=199701458&NroLei=1.458&Word=&Word2=>. Acessado em: 16/03/2021 às 11:38.
IBGE. Rolante. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/rolante/panorama>.
LAUX, Paola Natália. A presença do negro escravizado em Rolante. In: Raízes de Rolante: XXVI encontro dos municípios originários de Santo Antônio da Patrulha / Véra Lucia Maciel Barroso; Joyce Aline dos Reis; Igor Tieres Glaeser (Orgs.). – Rolante: Simples Assim, 2018. 3v. 616p.
LEI MUNICIPAL Nº 045, de 15/04/1957. Disponível em: <https://rolante.cespro.com.br/visualizarDiploma.php?cdMunicipio=7830&cdDiploma=19570045&NroLei=045&Word=&Word2=>.
LEI MUNICIPAL Nº 1.957 de 23/05/2005. Disponível em:
<https://rolante.cespro.com.br/visualizarDiploma.php?cdMunicipio=7830&cdDiploma=20051957&NroLei=1.957&Word=&Word2=>. Acessado em: 16/03/2021 às 11:40.
PETRY, Andrea Helena. A ocupação do Vale do Rio Rolante. In: SCHOLL, Marly etal. (Org.) Raízes de Osório. Porto Alegre: EST, 2004.
PETRY, Oto Guilherme. Cartografia das áreas de risco no rio Rolante-RS e estratégias de recomposição da mata ciliar. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Geografia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2003.
ROST, Ademir. Rolante Primitivo: tópicos da história de Rolante. In: Raízes de Rolante: XXVI encontro dos municípios originários de Santo Antônio da Patrulha / Véra Lucia Maciel Barroso; Joyce Aline dos Reis; Igor Tieres Glaeser (Orgs.) - Rolante: Simples Assim, 2018. 3v.
_______. Tópicos da História de Rolante. Textos Originais do P. Bremer. Porto Alegre: Gráfica e Editora RJR, 2020.